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13 de setembro de 2010

"DEUS NÃO REJEITA UM CORAÇÃO ARREPENDIDO"


"DEUS NÃO REJEITA UM CORAÇÃO ARREPENDIDO"

(Salmos 51:17)

Martha Medeiros - Miss Imperfeita

"Eu não sirvo de exemplo para nada, mas, se você quer saber se isso é possível, me ofereço como piloto de testes.


Sou a Miss Imperfeita, muito prazer. A imperfeita que faz tudo o que precisa fazer, como boa profissional, mãe, filha e mulher que também sou, trabalho todos os dias, ganho minha grana, vou ao supermercado, decido o cardápio das refeições, cuido dos filhos, telefono sempre para minha mãe, procuro minhas amigas, namoro, viajo, vou ao cinema, pago minhas contas, respondo a toneladas de e- mails, faço revisões no dentista, mamografia, caminho meia hora diariamente, compro flores para casa, providencio os consertos domésticos e ainda faço as unhas e depilação! E, entre uma coisa e outra, leio livros. Portanto, sou ocupada, mas não uma workholic.

Por mais disciplinada e responsável que eu seja, aprendi duas coisinhas que operam milagres...

Primeiro: a dizer NÃO.
Segundo: a não sentir um pingo de culpa por dizer NÃO.

Existe a Coca Zero, o Fome Zero, o Recruta Zero. Pois inclua na sua lista a Culpa Zero.
E, se não aprender a delegar, a priorizar e a se divertir, bye-bye vida interessante. Porque vida interessante não é ter a agenda lotada, não é ser sempre politicamente correta, não é topar qualquer projeto por dinheiro, não é atender a todos e criar para si a falsa impressão de ser indispensável.

É ter tempo. Tempo para fazer nada. Tempo para fazer tudo. Tempo para dançar sozinha na sala. Tempo para bisbilhotar uma loja de discos. Tempo para sumir dois dias com seu amor. Três dias... Cinco dias! Tempo para uma massagem.. Tempo para ver a novela. Tempo para receber aquela sua amiga que é consultora de produtos de beleza. Tempo para fazer um trabalho voluntário. Tempo para procurar um abajur novo para seu quarto. Tempo para conhecer outras pessoas.

Voltar a estudar. Tempo, principalmente, para descobrir que você pode ser perfeitamente organizada e profissional sem deixar de existir. Porque nossa existência não é contabilizada por um relógio de ponto ou pela quantidade de memorandos virtuais que atolam nossa caixa postal. Existir, a que será que se destina?

Destina-se a ter o tempo a favor, e não contra.

A mulher moderna anda muito antiga. Acredita que, se não for super, se não for mega, se não for uma executiva ISO 9000, não será bem avaliada. Está tentando provar não-sei-o-quê para não-sei-quem.

Precisa respeitar o mosaico de si mesma, privilegiar cada pedacinho de si.

Se o trabalho é um pedação de sua vida, ótimo! Nada é mais elegante, charmoso e inteligente do que ser independente. Mulher que se sustenta fica muito mais sexy e muito mais livre para ir e vir. Desde que lembre de separar alguns bons momentos da semana para usufruir essa independência, senão é escravidão, a mesma que nos mantinha trancafiadas em casa, espiando a vida pela janela.


Desacelerar tem um custo. Talvez seja preciso esquecer a bolsa Prada, o hotel decorado pelo Philippe Starck e o batom da M.A.C. Mas, se você precisa vender a alma ao diabo para ter tudo isso, francamente, está precisando rever seus valores.

E descobrir que uma bolsa de palha, uma pousadinha rústica à beira-mar e o rosto lavado (ok, esqueça o rosto lavado) podem ser prazeres cinco estrelas e nos dar uma nova perspectiva sobre o que é, afinal, uma vida interessante."


(Martha Medeiros - Jornalista e escritora - (Texto publicado na revista do jornal "O Globo"))

**
 
Decidi publicar este texto da Martha Medeiros, pois eu compartilho da mesma ideia...

No atual mundo no qual vivemos, as pessoas só pensam em consumir, em ter status, a seguir "regras da sociedade", que eu particularmente não entendo... As pequenas coisas, as coisas simples (aliás as melhores coisas da vida) são cafonas, fora de moda, motivo pra sentir vergonha...

Posso ser uma pessoa fora dos padrões (aliás, quem estabeleceu estes padrões???) pois, eu acho que vale muito mais o valor do "ser" do que o "ter", mas infelizmente somos pré-julgados, pré-condenados, pois não temos a roupa de marca, o carro do ano, não passamos as férias em lugares badalados, não saio todos os finais de semana e pior, "você não bebe e nem fuma??!!", tem "x" anos de idade e "ainda mora com os pais e não tem a casa própria?" Como pode não ter, não fazer, não gastar, não comprar...
São sempre os mesmos verbos, TER, FAZER, GASTAR, COMPRAR, PRECISAR, SAIR, AMAR, NAMORAR, CASAR...

Meu Deus, o que há com esse mundo?!

As pessoas usam descontroladamente estes verbos e não conhecem o real significado das palavras, a responsabilidade e o peso delas... Para estas pessoas "corretas, perante à sociedade" tudo é banalizado, tudo é futilidade, tudo é nada... Afinal a essência, o valor, o respeito do ser não existe mais... Infelizmente!!


(Lílian Neves)

Com licença...

 
 
Com licença, mas hoje eu preciso é de um tempinho pra chorar...
 
Deixar que minha alma se desafogue...
 
Que lave e carregue a sujeira acumulada, parada... 
 
Afinal, não dá pra ser feliz todos os dias.
 
Ninguém é forte todos os dias!!





(Lílian Neves)

4 de setembro de 2010

Segunda Chance



Só era possível sentir a solidão, dor, angústia, frio, medo... E tudo ficava cada vez mais escuro, ia-se aprofundando cada vez mais nesse abismo. Uma queda livre e única sensação era o medo, esperança já não existia mais.


Só era possível sentir o corpo em constante queda, ia cada vez mais para as profundezas, o vento era frio, gélido que cortava a pele da triste face, o coração dominado pela amargura, tristeza e solidão...

Tudo em sua volta ficava cada vez mais escuro e sombrio, não havia nenhum controle, apenas a queda para as profundezas, e era rápida e dolorosa - uma dor insuportável.

No entanto, por um único instante lembranças passaram rápidas pela mente... Uma mente totalmente atormentada, conturbada mas que teve segundos de lucidez. Uma criança, uma bela criança que sorria feliz, brincava de bambolê, virava estrela, corria com seus lindos animais de estimação, tinha vários amigos imaginários, e ela ia descobrindo cada pedacinho do mundo em que vivia, encantada com essa oportunidade. Sempre era afagada por um colo terno de amor, era seguro e caloroso, ao seu redor havia olhares e sorrisos encorajadores.

E então a mesma garotinha já estava maior, era bonita, continuava sorridente e sonhadora, agora amava dançar, cantar, pular e continuava a brincar... Pulava repentinamente nas costas do seu irmão mais velho para que ele a girasse fazendo com que ela se sentisse ao ar, voando livre, de braços abertos e olhos cerrados. No colo do seu irmão seu desejo era voar em um céu azul, de nuvens brancas e sentir o vento tocar seu rosto sorridente e angelical...

Agora, o que sentia era o vento de uma queda livre, porém, esta queda a levava para as profundezas, onde tudo era medonho e sombrio, o vento gélido cortava-lhe a face triste, enrugada, amargurada...

Nenhum sorriso nascera ali há tempos...

Foi então que brotaram algumas lágrimas em seus olhos e passaram pelas feridas abertas em sua face, fazendo com que doesse muito mais.

Por um breve instante, em uma última tentativa desesperada ela gritou, um grito vindo das profundezas do seu ser, um grito desesperado e dolorido... Ela clamou por socorro!

Nesse instante, sentiu que seu braço fora agarrado por alguém que a puxava para cima, para fora do abismo sombrio. O vento não era mais gélido, havia uma brisa refrescante, o sol brilhava forte, incapacitando-a de enxergar o seu salvador.

Quando ela foi colocada sob uma grama verde em campo aberto, longe do abismo do qual estivera, ela foi capaz de ver, ainda que com os olhos embaçados pela claridade do sol e das lágrimas de alívio que escorriam por seu rosto, ela pode ver olhos castanhos, um olhar forte, penetrante, profundamente confiáveis e que pareciam enxerga-lhe a alma, este homem também tinha longos cabelos e barbas castanhas.

Ele passou as mãos pela sua face, enxugou suas lágrimas e disse-lhe:

“Sei que agora compreenderás tudo, encontrarás o que realmente lhe pertence, caminharás e serás feliz. Sempre que quiser clame por mim e eu virei. Esta é a sua segunda chance”.

 
(Lílian Neves)

Pe. Fábio de Melo

"Você é quem decide o que vai ser eterno em você, no seu coração. Deus nos dá o dom de eternizar em nós o que vale a pena, e esquecer definitivamente aquilo que não vale... "

 
 
 
 
 
(Pe. Fábio de Melo)

Clarice Lispector

"Mas tenho medo do que é novo e tenho medo de viver o que não entendo. Quero sempre ter a garantia de pelo menos estar pensando que entendo, não sei me entregar à desorientação."







(Clarice Lispector)



Um cometa que passou...




Noite escura
Sem lua, sem estrelas no céu...
Nela alegria
Jovialidade e espontaneidade

Seu caminhar leve pela rua deserta
Seu vestido vermelho sangue
Farfalhando pela brisa forte

No rosto sorriso,
Tranquilidade, leveza...

Mas...

O caminho dela ele cruzou
Não como uma estrela cadente
Mas como um cometa
Veloz e raro

Como se fosse
Um meteoro em chamas
Marcas deixou
Devastação casou,
Feridas provocou
No ápice da paixão à ela abandonou...


Trouxe à tona todo o desejo que numa menina se escondia
E em uma mulher se revelava
Fez com que ela descobrisse o que era ser desejada
Acariciada, se sentiu bela, descobriu a formosura de ser mulher
Com seu toque enlouquecia
Com cobiça à sua pele ele percorria
Mãos hábeis e precisas
Seu perfume - o cheiro da pele
Inebriava, entorpecia


Não havia forças para a negação
Lascivos beijos de desejo, de amor
Entrega absoluta e total
Olhares profundos, admiráveis
Encantada mais e mais ficava

Do dia para noite tudo transformado
Medo em coragem
Insegurança em certeza
Desconfiança em confiança
Desejo em querer mais

Tão rápido quanto à passagem de um cometa
Ele era um meteoro
Ele passou e se foi...
E à ela, ele abandonou!

Ele foi...
Um cometa que passou
E marcas deixou!


 
(Lílian Neves)