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25 de julho de 2012

O amor não acaba


O amor não acaba, nós é que mudamos...


Um homem e uma mulher vivem uma intensa relação de amor, e depois de
alguns anos se separam, cada um vai em busca do próprio caminho, saem
do raio de visão um do outro. Que fim levou aquele sentimento? O amor
realmente acaba?


O que acaba, são algumas de nossas expectativas e desejos, que são
substituídos por outros no decorrer da vida. As pessoas não mudam na
sua essência, mas mudam muito de sonhos, mudam de pontos de vista e de
necessidades, principalmente de necessidades. O amor costuma ser
amoldado à nossa carência de envolvimento afetivo, porém essa carência
não é estática, ela se modifica à medida que vamos tendo novas
experiências, à medida que vamos aprendendo com as dores, com os
remorsos e com nossos erros todos. O amor se mantém o mesmo apenas
para aqueles que se mantém os mesmos.


Se nada muda dentro de você, o amor que você sente, ou que você sofre,
também não muda. Amores eternos só existem para dois grupos de
pessoas. O primeiro é formado por aqueles que se recusam a
experimentar a vida, para aqueles que não querem investigar mais nada
sobre si mesmo, estão contentes com o que estabeleceram como verdade
numa determinada época e seguem com esta verdade até os 120 anos. O
outro grupo é o dos sortudos: aqueles que amam alguém, e mesmo tendo
evoluído com o tempo, descobrem que o parceiro também evoluiu, e essa
evolução se deu com a mesma intensidade e seguiu na mesma direção.
Sendo assim, conseguem renovar o amor, pois a renovação particular de
cada um foi tão parecida que não gerou conflito.


O amor não acaba. O amor apenas sai do centro das nossas atenções. O
tempo desenvolve nossas defesas, nos oferece outras possibilidades e a
gente avança porque é da natureza humana avançar. Não é o sentimento
que se esgota, somos nós que ficamos esgotados de sofrer, ou esgotados
de esperar, ou esgotados da mesmice. Paixão termina, amor não. Amor é
aquilo que a gente deixa ocupar todos os nossos espaços, enquanto for
bem-vindo, e que transferimos para o quartinho dos fundos quando não
funciona mais, mas que nunca expulsamos definitivamente de casa.






(Martha Medeiros)