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24 de agosto de 2010

Gota de Orvalho


Caí à gota de orvalho, escorre calma, cristalina, gélida.

Passa pelas paredes feridas de um coração magoado, chateado, machucado...

Por onde passa leva consigo uma lembrança...

Uma época onde a inocência e a ingenuidade eram intensas, onde era possível acreditas nas boas qualidades do ser humano e a única preocupação era ser lembrada pelo coelho da páscoa e pelo Papai Noel.

Onde não havia falsidade, maldade, deslealdade, mentiras, intrigas, ganância, corrupção.

Era uma época linda, pois tudo era perfeito, os sonhos seriam realizados, não havia dificuldades que não pudessem ser vencidas...

As pessoas... Ah sim!... Elas eram boas de coração, verdadeiras, de bons sentimentos, sem interesses, eram leais e amigas no sentindo mais genuíno da palavra.

Era possível acreditar em um mundo colorido, feito arco-íris, com uma brisa que soprava doce e
calma, fazendo sentir como se fosse Deus mandando um beijo a nós.

O sol raiava e aquecia o lindo dia de céu limpo e azul, pássaros cantavam felizes, livres para irem e virem quando sentissem vontade.

As flores desabrochavam belas e formosas, encantando a todos com suas cores vivas, naturais e brilhantes... Era possível correr em um campo aberto de grama verde, abríamos os braços e girávamos como se fosse possível dar um enorme abraço ao mundo todo.

Aproximar-se de um riacho limpo e cristalino, que corria feliz em suas águas tranquilas que faziam música ao passar... O sabor da água era doce e refrescante.

As gotas que escorriam pela face da criança feliz era a água do doce riacho... E não a gota do orvalho que hoje escorre por um rosto triste e marcado.


(Lílian Neves)